"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

27/09/2016

Nunca ninguém disse que amar era fácil. E eu desde sempre conheci as várias dificuldades. Só que agora vejo que uma coisa é saber anteriormente que existem, outra é sentir na pele, no fundo do peito. Custa, dói... E tenho medo de não aguentar a ausência, agora que sei o que é ter-te perto de mim. Mas eu tomei a minha decisão e não quero voltar atrás, eu estou contigo. Eu não quero desistir já daquilo somos porque acredito que temos muito mais para ser. E quero tentar um futuro nosso, mesmo que o futuro para nós seja a coisa mais incerta que temos. Porque eu amo-te, amo-te por inteiro, com todas as dificuldades e incertezas que trazes contigo. E amar pode não ser fácil mas tu fazes-me feliz.

13/04/2016

Conversas soltas

- Gostava de ser o primeiro em alguma coisa. Beijos já todos te deram; carinho já todos tentaram dar; de certo que todos eles, de alguma forma, te tentaram satisfazer. Eu estou perdido, gostava de ser o primeiro, mas estou sem hipóteses...
- Ainda podes ser o primeiro numa coisa...
- Em quê?
- Em não me desiludir.

12/12/2015

E tu, acordas sozinho?

- Então, e tu, acordas sozinho?
A conversa desenrolava-se já por largos minutos; o tema?! o tema nem os intervenientes tinham conhecimento dele; era o mesmo de sempre,  conversas de tudo e nada que devia dar em alguma coisa, ou assim esperavam.
- Não, nunca acordo sozinho e quando o fizer alguma coisa não estará correcta.
- Porque falas assim?
- Adormeço com medos,  passo a noite com sonhos e acordo sempre com vontade de mais.
Numa das cabeças tudo isto fazia sentido; noutra, sonhos eram coisas que não existiam,  vontades era desconhecidas e medos eram que nem doença agarrada aos ossos.

- Porque tens medo de sonhar? 
- Não tenho; não é medo, é inexperiência. Não gosto de sonhos, prefiro cair na real e viver assim. 
- Não sabes o que perdes. A minha realidade são os meus sonhos, os meus medos e a minha vontade de os realizar e ultrapassar. Não sou mais nem menos que tu. Sou igual. Proponho-te um desafio. 
- Que desafio?
- Amanhã não acordes sozinho. Acorda com sonhos. (o mesmo vale para ti: atreves-te a acordar acompanhado?)

08/12/2015

quo vadis?

numa manhã de chuva pegaste no casaco e eu perguntei-te para onde ias.
-"Embora", disseste como se o frio lá de fora estivesse todo em ti.
num pequeno segundo, o nosso mundo - aquele que eu transportava - caiu a meus pés
e nem sequer consegui reagir à tua partida.
sabes? ainda hoje, depois de tanto tempo, procuro pelo motivo que te levou a partir
e ainda hoje - eu sei -, depois de tantas manhãs de chuva, te perguntas porque é que, naquela fração de segundos, não te impedi de sair.
Explico-te agora, num sussurro e sem medos:
como um pássaro, deixei-te voar.

E foi tão simples o nosso adeus.

09/09/2015

Perguntas

- Está tudo bem?

E tudo começa assim.
A tua pele sofre um arrepio que só tu percebes e começa a queimar. Sentes o teu corpo ser cortado pelo vento que corre como se fossem os vidros despedaçados do copos que deixaste cair ontem após mais uma discussão. Dormiste sobre o assunto, mas o rancor ainda está contigo, bem como todas as palavras que te massacram a cada minuto a cabeça pesada. Deste dois tragos no álcool áspero que guardas para ocasiões especiais como esta e saíste para arejar a cabeça e queimar os pulmões mais um bocado com dois cigarros fumados à velocidade da luz. Voltas-te a casa, talvez cedo demais para a tua vontade ou para a tua disposição, mas tem que ser. Fugiste a correr para o quarto, na mesma calmaria de sempre ignorando o que se passa à tua volta, sejam moscas, cães ou gatos e, principalmente pessoas. Com a mesma velocidade de sempre despiste a roupa que te cobria e deitaste-te. A música começa a entrar-te nos ouvidos e, assim, adormeces mais uma vez, sobre o assunto. Não estás bem; nada te deixa satisfeito; queres mais e precisas de paciência, mas as pernas são te tolhidas por catanas. Acordaste do mesmo modo que foste dormir: revoltado, mal com tudo e perdido.

- Está tudo bem?
- Sim, está tudo óptimo! E contigo?

Sorris, ouves a resposta e vais à tua vida.
Fodido.

16/08/2015

"O sujeito que eu escondi"

Os que para ti olham vêem a loucura, vêem isso e apenas aquilo que tu queres transmitir. Vêem muito e ao mesmo tempo tão pouco. Todos te conhecem mesmo sem conhecer, és complicada e ao mesmo tempo tão fácil de compreender. És tão simples e tão complexa.
És senhora de ti mesma, festiva, indomável, determinada e sais em busca da felicidade com medo mas com coragem. És repleta de histórias para contar e repleta de tudos e nadas. Se tiveres de ir, vais e eu sei que não adianta dizer que não porque vais na mesma. Se bateres com a cabeça, choras o que tens a chorar e lá vais. Como eu disse, és senhora de ti. Se te pedirem opinião sobre algo ou alguém vais dizer-lhe o que achas sem panos quentes. És uma pessoa franca, franca demais por vezes. Não abres mão da tua personalidade por ninguém, tens as tuas convicções e pensamentos. És feita de sonhos mas não perdes muito tempo a pensar neles, ao invés disso, tentas ir atrás deles. Não vives de arrependimentos, só de um, não teres estudado mais quando devias, porque se há coisa que te custa mais é ver passar um sonho em frente aos olhos e saber que conseguias concretizá-lo. Mas sei que acreditas que este ano vai ser o ano, o teu ano e vais dar o teu melhor como sempre deste em tudo. Porque és assim, mente desinibida, coração rebelde, espírito livre e desafiadora. Aprendeste que se não foi, não tinha de ser e vives bem com isso, nem sempre foi assim, mas agora vives. Aprendeste muito com aquele amor, e posso dizer que viveste com ele no coração sem ninguém saber durante bastante tempo porque preferiste assim, chorar nas noites mais frias e não ter de responder às perguntas das pessoas. Ele foi o teu ponto fraco durante muito tempo, aprendeste coisas com ele mas ainda mais contigo própria. E agora, aceitas as palmadas da vida, calmamente, porque sabes que foram essas que te mudaram e te fizeram ser a pessoa que és hoje, foram essas que te deram vontade de viver e viver e viver mais ainda. O amanhã até te pode meter medo, mas que venha, depois logo vês o que fazer. Tudo que viveste são histórias para contar a quem as quiser ouvir. Conheces meio mundo, mas muitos só te conhecem o nome. É fácil conhecer-te e rirem-se contigo mas é difícil conquistar-te. Quando te conquistam, têm o melhor de ti.
Tens dificuldades em encontrar o teu sujeito escondido porque sentes que raramente escondes algo de alguém e de ti. És tão genuína, tão tu. Acho que o teu sujeito é "meio escondido", depende dos dias e das pessoas, depende de ti. 
O teu lema de vida é conhecer o mundo, é viver tudo e sentir tudo de todas as maneiras.

"Gosto que tudo seja real e que tudo
 esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo
que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo."
 Alberto Caeiro.

15/08/2015

O sujeito que eu escondi

Pequenina e maria rapaz. É como todos me conhecem. Sempre com a bola nos pés ou nas mãos, sem usar saias nem vestidos. A miúda que passava os dias com os rapazes a brincar, porque as meninas eram uma seca. Futebol a toda a hora, Karaté em vez de Ballet, trepar muros, rochas e árvores. Nódoas negras nas pernas, umas em cima das outras. Andava lá fora sempre que podia, o ar puro e a natureza sempre me fizeram bem. Os anos passam e há mudanças em nós, a adolescência. Comecei a identificar-me com as raparigas e os rapazes continuaram a ser os parceiros das asneiras. O Karaté e o Futebol desapareceram, as nódoas negras também. O mau feitio, esse, mantém-se. Resmungona até dizer chega. Troquei o pátio e o jardim pelo quarto de porta fechada com o computador ligado. É assim que passo os dias quando estou em casa. O amor pelo ar livre continua cá dentro, mas a alegria que outrora tinha morreu há muito. A adolescência é uma fase complicada, começamos a descobrir os sentimentos, descobrimos os outros e descobrimo-nos a nós. A minha experiência a conhecer os outros foi um fracasso, de tal maneira que acabei sozinha. E a experiência de me conhecer a mim própria essa continua a acontecer e nem sei o que dizer para além de estar a ser cruel. O conhecimento do meu corpo é doloroso, de forma a evitar olhar-me ao espelho. Passo semanas sem fazê-lo e quando o faço é só para encontrar mais um e outro defeito, que me faz sentir horrível. A minha péssima autoestima é o meu segundo grande defeito. Não basta o quão grave é não gostar do meu exterior como nunca ouvi um elogio de um único rapaz e isso só piora ainda mais a situação. Mas tenho aos poucos iniciado um processo de mudança na miúda maria rapaz e tenho-me tornado um pouco mais feminina, porque quero e porque comecei a gostar por mim própria dessas mesmas roupas, sem qualquer pressão da sociedade. E o mais engraçado é que as pessoas que me rodeiam parecem não aceitar e eu odeio isso. Porque é mau quando queremos mudar para melhor e nos deitam abaixo. E agora que tenho mudado não tenho ninguém a quem me mostrar e que aceite o meu novo eu e acabo novamente desmotivada e afundada na minha fraca auto estima. Quanto ao conhecimento do meu psicológico o panorama não é tão drástico apesar de ser muito mau. O meu sujeito escondido é um ser triste, desorientado, depressivo. Um ser que acumula mil e uma coisas e que dificilmente fala sobre elas, porque estão no mais fundo de si. Um ser que precisa de ajuda mas que nunca pediria essa ajuda porque tem vergonha de falar, fechado dentro de uma sala com um estranho. Porque há coisas que não se conseguem falar por serem o mais íntimo de nós. As outras vou desabafando com as pessoas que me ganham a confiança aos poucos. E o quão difícil é ganharem-me a confiança, destruir este muro que imponho a tudo e todos. Por ter o coração dorido de tantas feridas. Sou assim reservada, porque a vida me levou a isso. Uma rotina diária enclausurada que me prende e não me deixa viver o mundo, consequência do meu terceiro maior defeito. Não ter metas a nível profissional, não ter planos para o futuro. Estou farta que as circunstâncias da vida me levem a um estado de avalanche depressiva. Uma pessoa triste, solitária, carente, negativa. Com inveja de quem anda por aí a gozar o que há de bom, porque eu não tenho oportunidades de o fazer. Um alguém que desistiu de sonhos, que ama verdadeiramente e que sai sempre magoado. O sujeito que eu escondi é um sujeito frágil. Mas o conhecimento bom do meu “eu” psicológico é o facto de camuflar todo este sujeito que há em mim. O facto de me fazer de forte e construir o tal muro que não deixa as pessoas aproximarem-se, nem me faz aproximar das pessoas enquanto não as analiso, enquanto não vejo algo, nas pessoas, que me cative. É por isso que muita pouca gente sabe de mim e quem não sabe por vezes diz que sou misteriosa. E de tanto me fazer de forte acabo por saber sê-lo em determinadas situações. Esse é o lado bom das desilusões, porque de tanto fazer mossa chega a um ponto que já é um hábito e desligamos mais rapidamente de quem nos magoou. Aprendi a proteger-me, aprendi a pensar em mim em certos momentos. Agora só me falta aprender a ser feliz...

01/08/2015

há quartos

Ha quartos que revoltam. Que perturbam com tanta agitação. Que causam repulsa, náusea e mais, vigorosamente, nojo. Há quartos que precisam de uma transformação, de uma mudança completa pois há quartos que sofrem com elas. Há quartos que parecem uma revolução. Só faltam os cravos.

31/07/2015

Escrita inteligente.

Hoje, ao escrever um "adoro-te" numa mensagem, não escrevi a palavra completa e o telemóvel corrigiu automaticamente para "a dor". Se calhar é isso que é um adoro-te incompleto. A dor.