"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

14/07/2013

desejos que não desejo a ninguém

Ele era daquelas pessoas que valia a pena ver; só um segundo e o nosso dia estava preenchido. Qualquer escritor anseia por alguém assim na sua vida, uma fonte carregada de inspiração que nunca acaba, é contínua e eterna, como o amor. Oh, amor, isto não é amor e a palavra amor dá-me urticária. Olhá-lo nos olhos era como atingir o auge da relação mais intensa que possam imaginar; fervia, arrepiava e dava vontade de morrer e sonhar para sempre. A arrogância dele era salgada, dava sede e a a sede matava-se com ele, não fosse ele a minha fonte. A minha fonte de tudo, de inspiração, de amor, de lágrimas, de rancor, de nervos, de vontade de morrer, de vontade de sonhar para sempre. Sonhar com ele dava vontade de nunca acordar, porque o mundo era nosso e nós éramos o mundo. E no mundo, tínhamos mundos que eram mundos só nossos, e nosso era o mundo em que vivíamos; os dois, sozinhos. Porque somos sozinhos e nunca quisemos ficar juntos. Olhar para ele e não sentir nada era mais impossível do que esquecê-lo. Ele esquecia-se muito, mas esquecia-se porque queria; e nunca queria, mas queria querer porque querer ser ele não queria, porque era uma merda e oh, se ele soubesse o quanto eu gostava da merda que ele era naquele momento. Ele era a junção mais perfeita do caos e da paz, porque paz ele não tinha, mas dava-ma; quando me queria e quando me tinha, quando eu o tinha e quando nos queríamos. Éramos um e nunca fomos nenhum, mas a boca dele dava vontade de beijar, e morrer, e continuar a sonhar para sempre. 

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