"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

16/07/2013

Dores de crescimento.


Sempre que crescemos, mesmo que quase passe despercebido, dói-nos algo. Pode parecer que são simplesmente os ossos a tornarem-nos maiores, porque a nossa pele se recusa a adaptar-se às suas mutações, mas a verdade é que as dores vão muito para além do físico de qualquer crescimento. A capa que nos veste recusa-se a soltar-se daquilo que conhecia, daquilo que a mantinha presa a uma segurança doentia e obsessiva. E nós temos que aguentar estas indecisões do nosso corpo, que vive completamente alheio aos nossos pensamentos e desejos. Na pior das hipóteses esta dor irá acompanhar-nos até que o nosso corpo finalmente ceda aos nossos caprichos e se adapte às constantes mutações que diariamente nos motivam a avançar. A nossa pele deixará de nos servir vezes e vezes sem conta. Pensaremos em arrancá-la, viver sem ela. Talvez inventar uma capa que se adapte às constantes mudanças e que nunca mais nos magoe. Mas a verdade é que são essas dores que nos abrem os olhos e o espírito, nos levam pelos caminhos que consideramos certos e que nos iluminam os passos dados nos sonhos tidos nas madrugadas frias. E quando tomamos consciência disso toda e qualquer dor de crescimento se torna doce. Uma doce conquista que nos torna mais humanos. Mais nós.

5 comentários:

  1. Eu adorei este texto! Grande tema. Óptima abordagem.

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  2. Há textos que nos fazem bem ler em determinadas alturas da nossa vida e definitivamente este foi um deles!

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  3. maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso!já vos disse que vos adoro e à vossa escrita?

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  4. no fim de ler o texto só tive uma reação: uau!

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