"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

27/07/2013

encontrei-me num desencontro

Vou escrever sobre mim. Assim do meu jeito desajeitado, mas vou fazê-lo. Mas vou escrever sobre a verdadeira parte de mim, aquela que poucos conhecem e ainda menos querem conhecer. É fácil dizer que tenho cabelo castanho claro e olhos azuis. Difícil é saber o cheiro do meu cabelo. Difícil é olhar-me nos olhos e ver a minha alma. Não sou fria, como muitos pensam. Eu também choro. Preocupo-me demasiado com os outros até. Mais do que comigo, muitas das vezes. Tenho os meus medos e inseguranças, e o meu sorriso esconde muitas mágoas. Sou mais do que vêem, e menos do que não vêem. Sou infantil, ou talvez até nem seja. Eu deixo que os outros vejam essa parte de mim. A menina que gosta de cachorrinhos, gatinhos e bebés e que vê desenhos animados. É, eu faço isso tudo. Tenho dezassete anos e vejo desenhos animados. Façam uma festa e chamem-me de infantil. Mas lembrem-se, sou muito mais do que isso. E sou assim por um motivo. Não sou só doçura e ternura. Nem só frieza e amargura. Sou equilibrada de uma forma desequilibrada e vivo muito nos limites dos sentimentos. Vivo muito a tristeza e a dor; mas adoro a felicidade e o amor. Amo muito. Talvez odeie ainda mais. Sou negativa de uma forma positiva, e sou um não disfarçado de sim. Vejo muito mais do que os outros vêem, mas não quero ver. Ainda não me habituei a esta diferença. Ainda me dói quando me chamam de estranha. Dói-me mais quando me chamam de cabra. Talvez seja uma cabra. Mas eu não me sinto como uma. Já errei e já me arrependi de muita merda que fiz. Mas voltava a fazer. Se não fossem essas más decisões, eu não tinha crescido. Se isso faz de mim cabra, que seja. Aguento os rótulos. Ou talvez não aguente. Eu digo que aguento, mas eu não aguento. Só eu sei as noites que passei sem dormir e as lágrimas que chorei. Porque esta sou eu, alguém que ainda não descobriu quem é. Um dia, eu irei descobrir. Talvez um dia passe por mim na rua e me reconheça. Ou talvez não descubra, sei lá. E como este é o terceiro texto, e o número três simboliza a perfeição e o equilíbrio, escrevi sobre mim, a imperfeição em pessoa, só mesmo porque gosto de contrariar. 

5 comentários:

  1. Eu gosto de ti sem te ver com os olhos. Mais importante que o que vemos com os olhos é o que vemos com a alma. Sorri. O certos estarão. Os outros simplesmente não importam.

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    1. ora nem mais. eu não posso ser o que os outros querem que eu seja.

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  2. Por ousar descrever a si mesma, já és uma pessoa diferente.
    Um ser humano, na incrível jornada da vida.

    Um bom final de semana, e estou te seguindo.

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