"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

15/07/2013

Incondicionalmente

A trovoada aproximava-se à medida que ambos, de costas voltadas, se afastavam, fracos. A chuva molhou-os durante uma hora. Os guarda-chuvas não vieram. Não vieram por esquecimento ou porque o destinos não quis que viessem.
A indiferença tentava apoderar-se de ambos, mas era impossível. Amavam-se incondicionalmente. Um e outro rugiam suspiros. Aconchegavam-se, um e outro, dentro das suas cabeças. Ele sentia o perfume dela penetrar-lhe a roupa e os fios de cabelo dela fugirem-lhe por entre os dedos. Ela arrepiava com o beijo na testa que ele lhe deu. Puxava-o para si. Enterrava-se nos seus braços e assim partia em busca de segurança e conforto. Sabia que ali iria achá-los. Achava sempre.
Chovia.
A roupas começavam a pesar. Esforçavam-se para mascarar o ódio da despedida. Não precisavam de falar. Estava já tudo tratado, todas as decisões tomadas. Aquilo eram despedidas. Um até já. Um até breve ou um assombroso adeus.
Apertaram as mãos uma última vez.
Ela mordeu o lábio tentando desesperadamente conter as lágrimas que aí vinham. Ia falar. Ele interrompeu-a respondendo “eu também” ao que ela não disse. Um sorriso escapara-se. Ela retribuiu. Esta seria a última vez que ambos se perderiam no sorriso um do outro.
Largaram as mãos.
Voltaram costas.
Partiram, em direcções opostas.
Amavam-se. Incondicionalmente.

8 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado Rosinha, não só por leres, mas por nos visitares a todos!
      Espero que essas visitas continuem :)
      Mais uma vez, obrigado!

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  2. Não sei como vou conseguir ver o Glee agora, vai ser tão triste saber que ele não vai aparecer no ecrã a sorrir e casar com a Rachel (e a Lea)!
    Sim, eu também tenho esperança que não tenha sido uma overdose. Ele parecia tão bem!

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  3. *-* bebes sao sempre bebes!
    como tens muitos blogs nao sei em qual responder, espero nao me ter enganado

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  4. "Ele sentia o perfume dela penetrar-lhe a roupa e os fios de cabelo dela fugirem-lhe por entre os dedos. Ela arrepiava com o beijo na testa que ele lhe deu. Puxava-o para si. Enterrava-se nos seus braços e assim partia em busca de segurança e conforto. Sabia que ali iria achá-los. Achava sempre." lindo ricardo, lindo! parabéns!

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    1. Obrigado bé :)
      Espero poder partilhar mais convosco em breve

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  5. Está muito muito bom, principalmente para quem, no passado, também sofria as despedidas, uma vez por mês, ou de dois em dois meses. Sente-se a dor que também eu sentia, o desespero, a vontade de ficar e nunca mais partir.
    E outra nota, gosto do registo menos "vim para matar", gostei muito. :)

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