"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

24/07/2013

Inspiração.

É engraçada a forma como conseguimos arranjar inspiração mesmo naqueles momentos vazios de qualquer sentimento ou pensamento. As palavras vêm ter connosco, batem-nos à porta da alma e fazem-se ouvir. E nós juntamo-las, timidamente, tentando que tudo volte a ter sentido. Que aquela inspiração que nos caracteriza regresse para os nossos braços. Procuramos existir através das nossas frases mesmo que isso signifique que essa metafórica existência termine no último ponto final sem um parágrafo que se faça acompanhar, qual melhor amigo que nos dá a possibilidade de recomeçar tudo de novo, de continuar o nosso pensamento. Respiramos por entre as entrelinhas e as vírgulas que vão surgindo no texto dão-nos tempo para repousar no seu corpo encurvado. Sentimo-nos adormecer e é nesse momento, naquele que antecede o unir das pestanas, que sabemos que mesmo nos dias vazios de inspiração um escritor vive nas linhas de um qualquer pedaço de papel e nas teclas de um computador. E tudo isto tem o seu quê de irónico. Habita em nós uma inspiração infinita que nem sempre se revela mas que nos faz querer encontrá-la. É essa busca, de respiração ofegante, que traz de volta aquela parte de nós que se tentou escapa. E é engraçado: ela está sempre bem mais perto do que julgamos. Ainda continua em nós. Continua sempre em nós. Porque, passe o tempo que passar, ela nunca deixará de nos pertencer.

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