"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

25/07/2013

Fim de tarde


O sol queimava-lhes a face, os braços e as pernas. Já nem sentiam as costas por estarem tão queimadas com a força e o calor que o sol lhes enviava. Dividiam uma toalha, sentados lado a lado, com as pernas prestes a tocarem-se, e iam dividindo uma pequena peça de fruta, ocasionalmente, quando a fome apertava. Olhavam o vazio do horizonte na sua frente, o paraíso calmo que o mar lhes parecia. Conversavam em voz baixa, beijando-se de vez em quando, quando a fome de beijos apertava. Beijos tão doces, tão ternos e tão calmos. Beijos que se assemelhavam ao estado do mar. Calmo. Navegando em si mesmo com tranquilidade. Transmitindo paz. 
Quando o sol, finalmente, se tornou de num ponto vermelho alaranjado, levantaram-se, pegaram na toalha e na mochila pousada ao lado e, com os dedos entrelaçados e os pés a saber a maresia, caminharam até ao carro, de volta para a vida real. Como se tudo não tivesse passado de um bom sonho.

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