"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

21/07/2013

perdi-me em paixões, depois volto

Como fui capaz de não o ver? Era como se certas peças encaixassem suavemente num complicado puzzle. Foi mais fácil do que eu pensava, deixar que a existência de alguém deslizasse para dentro de mim, aquecendo-me cantos escuros e frios que não tinha coragem de aquecer. Não digo que me apaixonei loucamente, um gelo tão grande encerrado no peito impede que uma qualquer chama aqueça logo. Mas nunca soube o que era apaixonar-me assim, com calma, com suavidade, docemente, com passos de lã para não fazer a casa cair. Não sou de grandes paixões, já, ou então sou mas não me deixo ser, mas tanto se me faz, as relações que tive até agora foram apaixonadamente perigodas, destrutivas, e ele é para mim como um mar calmo, onde posso flutuarde barriga para cima sem me preocupar com as ondas. Para contrapôr, é algo de electrizante; o toque não é só um toque, é faísca condensada num curto espaço, aquece o corpo, aquece o coração, apenas aquece, e um toque não chega, tem de ser dois, um beijo já não sacia, tem de ser uma mordida no lábio, e há risos entre os beijos, há piadas em que se solta um suspiro e há simples beijos na testa. Sabe tudo tão bem, tão anormalmente simples, que ainda me ando a habituar a este sentimento de que um amor não precisa de ser dolorosamente sofrido, para ser bom.

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