"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

24/07/2013

Perfume

Aquele perfume intenso cobria toda a cama e poluía a atmosfera do quarto. O sol entrava pelas pequenas aberturas das persianas mal fechadas e ia iluminando aquele berço de tentações.
Dois corpos. Agora, nada mais eram que dois corpos adormecidos, cansados de prazer. Ontem, eram dois amantes. Dois corpos escaldantes que se perdiam entre beijos e carícias e suspiros que gelavam e arrepiavam a pele de ambos. Encontravam-se, ocasionalmente, entre puxões de cabelos frenéticos, arranhões profundos e respirações ofegantes quase sincronizadas. Mordiam, mutuamente, os lábios morosamente pedindo, sem falas, por mais.
Ele agarra-a com força, puxando-a para si e tudo acaba. Os dois ânimos parecem tocar-se na atmosfera. Tudo acaba num gemido cortante que se transforma num arrepio inocente que percorre os dois corpos. Beijam-se.

Ela cai em cima do peito dele e adormece, nos seus braços, por entre carícias leves no cabelo. O perfume esvoaça. As roupas espalham-se caoticamente no chão e os corpos restauram a ordem unindo-se num abraço inocente e sem forças.

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