"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

21/07/2013

Regresso ao passado.

O baloiço anda para trás e para a frente e eu sinto um vento quente na minha cara. Chega-me ao nariz um cheiro inebriante a pinheiros mansos que me leva de volta à minha infância. Entranha-se na minha mente um desejo de nunca deixar de baloiçar. As pernas avançam e recuam, avançam e recuam, tal e qual a minha vida. Olho para baixo e sinto-me voar, abandonando os medos e agarrando com mais força os sonhos. Os ferros rangem, tal e qual tantos anos antes, mas agora já não tenho medo de cair. Vejo, abaixo de mim, os passos que dei e consigo imaginar os passos que irei dar. Abrando o balanço e sinto a areia nos meus pés descalços. Quando olho em frente vejo aqueles que foram os meus primeiros amigos. Eles sorriem e eu não evito soltar um sorriso. Seja por ilusão de óptica ou loucura da mente, eles parecem-me iguais ao último dia que os vi, há mais de dez anos atrás. O baloiço pára e eu enterro os pés na areia. No meu ombro direito descansa uma trança. Pisco os olhos e aqueles que eu tanto amei já não me sorriem. A trança já não descansa no meu ombro. É aí que eu entendo: deixei uma parte do meu coração naquelas pessoas, naquela vila, naquele baloiço. E, passe o tempo que passar, terei sempre saudades de ser criança.

1 comentário:

  1. Acho que colocaste em palavras a razão pela qual eu ainda hoje corro para um baloico quando o vejo.

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