"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

16/07/2013

perder e fracassar e o mundo continua

Tornavas a perda um pouco mais amarga, como se perder já não fosse amargo o suficiente. Deixar a morte ganhar foi invulgarmente doloroso para mim, como se a fraqueza de existir se exuberasse nestas alturas, em que a morte não deixava força para mais. As despedidas não eram coisas que se fizessem ao acaso, e os teus olhos eram meigos e vagos, como se não houvesse nada para além deles, e havia tanto, eu sei que havia. Somos fracos por existir assim, numa demência tão firme, e que nos cabe a todos, que nem reparamos que somos assim, doentes e despercebidos. As despedidas eram tristes, principalmente aquelas que não tinham retorno, aquelas que nos deixavam presos ao chão e sem espaço para mais choros surdos. Somos todos fracos, disso eu tive a certeza quando soube que a morte te levara, como se tudo na vida fosse uma espera confusa, uma espera que a demência acabasse e a morte viesse acabar com ela.

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