"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

27/09/2013

As aventuras de Tobias e António

Os sonhos existem sempre dentro de ti, se os quiseres descobrir fecha os olhos, entra na Floresta Mágica e segue os duendes.


I

Enquanto cá fora chove, dentro de casa, as crianças, brincam junto às chamas da lareira e pulam, contentes. 
Não só a alegria as fará saltar. Será também, a modo nostálgico, a inocência que os inunda e move, emotivamente, enquanto brincam, os pequenos pirralhos, com a sua enorme linha de comboios que tinham recebido pela altura do Natal. A linha é grande, mas simples. O comboio, preto riscado a vermelho, é o cabecilha da brincadeira, as carruagens, intensamente negras, que transportam – dizem os pequenos – pessoas, seres mágicos da Floresta e ouro, muito e muito ouro.
Tobias, o pequeno maquinista, não se deixa impedir por locais íngremes que existem na linha como é o caso da montanha das Três Luas ou a enorme curva da Lagoa Vermelha. E, sempre que existe algum problema Tobias põe a sua grande imaginação a trabalhar e, como habitual, resolve-o com a maior simplicidade e eficácia.
 Da última vez - conta Tobias ao chefe da estação, o António – a última carruagem saiu da linha tudo por causa da festa que os duendes estavam a fazer por aqueles lados. Saltaram todos juntos e zás! A carruagem abanou, juntamente com o vagão do ouro, e foi parar fora da linha. Tivemos que parar com muita, mas mesmo muita força. Foi então que saí e pedi ao troll Edgar que voltasse a meter a carruagem na linha porque ele é muito forte. E depois continuamos a nossa viagem até ao interior da Floresta.
O avô ao ouvir a conversa dos seus netos riu-se. Parou de ler o jornal e, em tom de brincadeira, murmurou sozinho: 
-Se todos os comboios fossem como este é que era bom. Não há greve que lhes pegue, nem ao comboio, nem aos empregados. 
Deitou, por fim, um olhar atento na fogueira deixando que o rosto velho e enrugado aquecesse um pouco e voltou a enterrar a cabeça por entre o jornal do dia.
Os pequenos continuaram em altiva algazarra até ao fim da viagem. Os duendes hoje estavam calmos, alguns chegavam mesmo a dormir, hoje o troll Edgar preferiu ficar em casa, era dia de descanso amanhã, talvez, quem sabe, ele venha visitar a Floresta.
Ouviu-se o som de um apito estridente juntamente com o som dos travões do comboio.
- Chegamos à Floresta! – Gritava António – É o fim da viagem senhores passageiros!
Os duendes desembarcavam e pegavam todos num pouco de pó que traziam, cada um em seu bolso, e sopravam. Em frente a eles surge um pote preto enorme. Um para cada um e, educadamente, dirigiram-se às carruagens de ouro enchendo os potes. Uns aproximavam-se da carruagem, outros afastavam-se, partindo. Era hora de voltar para o outro lado do arco-íris. 

Por hoje acabou o dia de trabalho para o maquinista Tobias e o chefe António. Ambos saiam, um com o chapéu azul, o outro com o apito ao peito, em direcção à casa de chocolate de Hansel e Gretel. Hansel e Gretel depois de se verem livres da bruxa ficaram com a sua casa e fizeram dela um grande negócio, vendiam gomas, bolos e, segundo o Tobias e o António, a melhor tarte de cereja de toda a Floresta Mágica, mas agora é hora do lanche e isso não pode faltar aos nossos trabalhadores. 
Até à próxima!

2 comentários:

  1. Vou guardá-la e contá-la a todas as crianças que eu conhecer, acredita :)

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  2. escreves tão adultamente para crianças que parece impossível faze-lo. Gostei muito :))

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