"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

23/09/2013

E fugiu

Deixou-se levar.
Sentado na pequena embarcação, deixou-se levar pelo vento. Fechou os olhos e foi-se perdendo no barulho e embalar das ondas. O cheiro a maresia fincava-se nele à medida que as ondas iam sendo rasgadas.
Não estava bem assim.
Preferiu deitar-se.
O céu azul morria bem por cima da sua cabeça. Quem olhasse lá para o fundo, bem para as entranhas do horizonte ficava desnorteado, pois o fim do mar e o começo do céu faziam-se um só, sem lamúrias ou receios.
As nuvens não vieram hoje, ficaram em terra, negras. E foi por isto que partiu. A terra estava um inferno, por muito que ele gostasse do negro que o rodeava e enchia, o cheiro a morte e a carnificina mergulhavam-no no estado mais puro que ele tinha; mas não podia.
Não podia e fugiu.
Porque teve de ser.
Fugiu, porque fugir é bom. E perdermo-nos é infinitamente melhor.

4 comentários:

  1. Triste? Hum, fiquei pensando se é um fim para se chorar ou para ficar feliz , já que a terra estava um inferno. Última frase é reflexiva. Fugir é bom? Ou a reclusão? hahhaa
    Mas em suma, gostei do texto! Me fez ficar pensando nas possibilidades de interpretação.

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    1. Então é caso para dizer que o meu objectivo com este texto foi alcançado com sucesso!

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  2. Fugir dá-nos um passaporte para recomeçar. Mas perder... Bom, perder, é a porta aberta para uma nova identidade.

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