"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

24/09/2013

era uma da manhã

Fui um pedaço de carne que se arrastava pelas ruas sem cor. Fui mais alguém que nada era, porque ser algo nunca foi para mim. Nem não ser: eu nem era, nem não era. Porque para saber tinha que saber ser e o saber implicava algo que não me inspirava confiança, e que lugar em mim não tinha. Com o tempo aprendi que «o saber não ocupa lugar» e que ser é apenas uma consequência de quem vive – note-se que é de “quem vive” e não de quem finge viver. E o saber ensinou-me a ser e o ser ensinou-me a saber. Hoje sou saber. Hoje sei ser. Mas, continuo a nada ser. Porque o meu ser sempre foi cheio de tudo. E, então nada sou. Porque tudo sou e tudo, ninguém é. Sou um pedaço de nada. No entanto, sou algo, mesmo que nada seja. E ser é importante, quando da vida falamos.

2 comentários: