"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

14/09/2013

Perdoa-me se te matar

Sonhei que ele morreu e acordei com um sorriso no rosto. Ainda coloquei uma hipótese que me soou plausível, mas depressa desisti dela. Se choramos de tanto rir, eu também podia sorrir por tanto ter chorado. Mas, já cansei de mentir a mim mesma. Eu desejo a morte dele, o sangue iria fazer com que a cor dos seus olhos cor de mar realçasse. O seu olhar morto iria-me trazer uma paz de espírito que nunca antes senti. E, se um dia estes pensamentos mórbidos me assustaram, hoje eles fazem-me viver. Vivo da morte, quão irónico isto é? Não mais irónico do que toda esta minha estúpida existência e sem sentido nem direcção - em Física, teria de referir também o ponto de aplicação, e caso se tratasse de uma força, a intensidade, mas isso são galhos de outra árvore. Não sei quem ele é - ou talvez um dia tenha sabido - mas, quero-o morto. E o meu lema sempre foi "eu quero porque quero", por isso, ele que cuide bem dos seus olhos cor de mar, se não quer acabar no fundo do oceano.

2 comentários:

  1. Em tempos também já quis alguém "morto". Passou-se o tempo e passou-se a vontade. Aliás, esqueci-me da pessoa. É uma mancha estranha. Ainda assim espero que a vida o castigue, que o mate, mesmo que figuradamente. Aí sim, irei sentir que a vingança chegou.

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    1. o problema é que eu não sei quem quero matar. este texto não é destinado a ninguém em específico, saiu naturalmente. talvez o meu subconsciente saiba e apenas não me queira dizer

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