"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

30/10/2013

[Final do mês] Amor às cegas.

Caro amante, o passado mói e a saudade corrói. Devaneios do amor encarnaram-se na parte mais forte do meu corpo. Recordo certas ligações com o passado que me provocam arritmias inexplicáveis e constantes. Perco-me por entre sonhos, pensamentos e ilusões quando no fundo só sinto saudade. Realmente há pessoas e momentos que ficam entranhados em nós de uma forma espantosa. Não há nada que falte, a não ser o contratempo de um impasse gigante, entre o ir e o ficar. Há dias em que queremos esquecer o que foi vivido, outros em que vivemos dependentes desse amor, e é aí que surge a dúvida. No silêncio da decisão nunca é necessário realçar a escuridão onde está esta a ser tomada. E, assim, que no vazio dos bons momentos, o escuro não prevaleça, que não nos faça esquecer o amor que existiu e que ainda existe, esse que se espalha de forma tão descontrolada, que se apodera das nossas mãos e das articulações que nos movem, nomeadamente até ao que nos faz mais feliz. A dúvida continua entranhada em mim, não sei o que quero, mas sei que sinto e o sentir faz-me reviver e reviver faz-me querer continuar a sentir, instala-se a confusão em mim. O que devo fazer? Cada um de nós tem uma ideia, certamente alguns acabariam por desistir, mas eu arrisco-me a viver, a sentir intensamente os prazeres e os desassossegos de um amor às escuras ou talvez de um romance à luz das velas, não sei. Chega a noite que toda ela é silenciosa, a brisa que corre acima de mim é gelada e eu procuro recompor-me no aconchego da minha cama, decidindo esperar. Porque enquanto o amor quiser eu permaneço com ele, junto da minha cama, junto de ti.

Com I.

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