"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

04/10/2013

Devaneios sobre o dia em que me conheci.

Sempre que olho para trás volto àquele dia, o dia amargo e escuro em que me apercebi do pesado fardo que em mim carrego. Não é fácil chegar à conclusão que um dia todos acabaremos a olhar ao espelho sem ninguém à volta. Girares a cabeça de um lado para o outro à procura de algo que te faça sorrir por míseros segundos, mas nem isso conseguires. Acabas por perceber que estás completamente sozinho e os teus dias nunca mais serão os mesmos.Essa depressão em que mergulhas é temporária, é resultado de um choque que contraria tudo o que sempre nos ensinaram. Dizem que nunca estamos sós apenas para nos darem a doce ilusão de segurança. Dão-nos a mão para depois nos tirarem o chão. Ao ver a imensidão do mundo percebemos a imensidão do que somos: sem fronteiras, sem tentativas de nos adequarmos às expectativas dos outros. E o mal de todos nós é mesmo esse, criar expectativas nos outros e pensarmos que podemos depositar a nossa vida em alguém. Não, não podes. Mais tarde ou mais cedo a pessoa arranja uma desculpa para não poder com o mundo que depositaste nela e aí quem perde o rumo és tu. Hoje consigo ver as coisas de forma mais simples, com a clarividência que apenas a distância nos permite. Distanciei-me de quem me afastava de quem sou, aproximei-me de mim nas noites em que recusei encontros fortuitos ou planos que não me agradavam. Aprendi o poder de um não, a liberdade que este nos dá. Fiz da minha companhia a melhor coisa do mundo e tornei-me a minha casa, o pilar inabalável que torna impenetrável a mágoa da desilusão alheia. Encontrei em mim características que desconhecia ou que julgava ter perdido e percebi que posso ser mais do que aquilo que achava ser. Aos poucos fui sabendo lidar comigo e com os outros do melhor jeito que podia, não posso exigir demasiado de mim nem deixar que o façam. Aprendi que o mundo não tem a obrigação de me dar sempre um bom dia, eu é que devo dizer bom dia ao mundo independentemente de estar de chuva ou de sol. E, um dia, acabamos por encontrar pessoas com quem podemos sorrir sem qualquer complicação ou fatura a pagar. Esse dia pode ser amanhã e nós podemos sempre ser o que quisermos. 

Com Mariana Pereira.  

12 comentários:

  1. Eu acho que vou criar um ritual como os religiosos. Vou acordar e todos o dias vou ler este texto. Pode ser que ao fim, quando já o souber de cor, tudo isto tenha entrado na minha cabeça. Parabéns a ambas. Está muito bom mesmo.

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    1. Espero que resulte, espero que de facto consigas desprender-te do que os outros querem fazer de ti e te tornes quem és, sem medos.

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  2. Acho que está absolutamente maravilhoso. Permitiu-me navegar pelo meu pensamento. Tanta verdade dita e quase nunca nos seguimos por estas "regras", sermos nós o nosso próprio pilar. Não tenho palavras, está inspirador mesmo!

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    1. Normalmente ninguém se guia por estas regras, nem eu, mas acho que está na hora de começarmos a fazê-lo para sermos mais felizes.

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  3. ele tem-me completamente.
    querida, amei o texto!

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  4. Gostei tanto! Acho que tens uma força incrível. Nunca desistas de ti nem das pessoas que gostam de ti nem das que tu amas. "Esse dia pode ser amanhã e nós podemos sempre ser o que quisermos", adoro mesmo! Beijinho

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  5. Gostei imenso do texto e do blog :D
    Vou seguir *.*

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  6. Gostei :)

    http://trapeziovermelho.blogspot.pt

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  7. gosto muito da forma como escreves.
    Parabéns.
    segui*

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  8. Este texto deu-me força, uma enorme. É só isso que te consigo dizer Mariana. Fantástico!

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  9. Nasci clarividente mas ainda assim a todo o instante surgem coisas novas ou aprendo mais e mais, apenas nem sempre tomo a lição. Vejo o futuro como sempre o intuí. Tens razão no que dizes. A minha companhia sempre foi a única que realmente tive e é a melhor do mundo, e será sempre porque só nos temos a nós mesmos. Principalmente quando se dá tudo, parece que não retorna nada. O resto é ilusão ou um faz-de-conta dos egoístas que, com sorte, dura uma vida inteira. Ainda assim a esperança é a última a falecer. Ou a ilusão?

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