"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

26/10/2013

e quando há quem nos desperte o interesse

Ela passou ligeira por mim, cigarro a bailar-lhe nos lábios e uma cara de quem não queria conversa, mas que não recusava dois dedos de perguntas filosoficamente impossíveis de responder. Ela era assim, um enigma universal pronto a ser desvendado por mãos mais delicadas. Passou por mim, esse ser etéreo e hipnotizante, sem olhar para mim duas vezes, sempre com o cigarro pousado nos suaves lábios carmim e com o olhar de quem estava perdida nas nuvens. Gabei-lhe a cara de menina, gabei-lhe os gostos musicais que roçavam os meus, gabei-lhe o interesse que despertava em mim. Afastava-se com agileza de todos os olhares que lhe pregava com ferros, apenas uns sorrisos fugazes de cumplicidade e pouco mais. Há quem nos desperte assim os sentidos; quem nos faça querer pegar no mais obscuro de si e lê-lo de uma ponta à outra. Quem nos dê vontade de partilhar um cigarro às 5 da manhã, enquanto a noite envelhece para um novo dia, e partilhar a cumplicidade de um silêncio. Há quem nos desperte assim o interesse.

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