"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

02/10/2013

[Final do mês] O relato de quem trocou as voltas ao medo

Nunca fui pessoa de ter medos. Ou melhor, o meu orgulho nunca me permitiu tê-los, ou pelo menos, admiti-los. Mas, também nunca assumi nenhum tipo de amizade com a coragem - mas, deixemos as minhas indefinições de lado. Por vezes, somos expostos à pressão, e sem ter muitas possibilidades de escolha, somos obrigados a tomar decisões. Certo dia, tive de escolher entre um medo que seria efémero ou uma felicidade temporária. Contrariamente ao que acontecia com a coragem, eu sempre tive um grande companheirismo com a rotina. Então, arriscar e optar por algo temporário, ainda que me trouxesse alegria, parecia um ato completamente irracional – e logo comigo, que nunca fui dada a irracionalidades. No entanto decidi arriscar. Desafiar as leis da natureza e os meus próprios princípios enquanto ser andante e falante. Optar por uma felicidade nada autêntica, porque não era efémera como o medo. Nem sei bem dizer o que me levou a fazê-lo. Nunca fui apoiante de mudanças bruscas, aliás, eu repetia os meus hábitos dia após dia, semana após semana, e isto durou anos. Porém, algo me levou a arriscar. Na verdade, um dos meus grandes medos – e não gozem – é o medo de amar. É um medo que não quero que morra comigo. Quero experimentar amar. Isso faz-se? É que todos falam de amor, mas eu nunca o vi. Sempre fui demasiado racional para isso. Defini prioridades que nunca me permitiram descobri-lo. Tinha perante mim a derradeira oportunidade. Ei-la de frente. O caminho da mudança estava traçado: era só segui-lo. A oportunidade para perder este medo estava ali, defronte! No entanto, algo inquietava-me. A ideia de uma felicidade com prazo de validade desencadeava reações alérgicas no coração. O que mais me perturbava era o desconhecido. O medo não era tanto o de amar, mas sim o de não conhecer ainda o amor. Até àquele dia, ele nunca se tinha apresentado a mim. E agora apercebo-me que entrou de rompante no meu músculo cardíaco? Ohhhh, caro leitor, que desgraça! Sou um inexperiente nisto! Só sei que do coração morrerei; seja de amor; seja de ataque cardíaco. Bate, bate coração, que de ti morrerei! E isto fez-me perceber que nada na vida é permanente. Se eu de facto queria experimentar a mudança, agora era o momento – não digo que seja o momento certo, porque a vida ensinou-me que o certo ou o errado são demasiado relativos. Aventurei-me pelo desconhecido e deixei de remar contra a maré. Desembarquei nos canais e nos caudais do amor. E sabem uma coisa? O amor é tão bom! Mas quantos amores temos na vida? Só sei que agora aprendi a amar. E preparem-se, sabem porquê? Porque a partir de agora, vou amar muito!

Um texto de Lúcia Pereira e César Sousa

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