"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

27/10/2013

gritos mudos

Somos mudos quando o amor nos toca, como se todas as palavras nos fugissem pelas mãos, como se todos os alaridos que nos tiravam o sono nos fizessem dormir melhor. Eu quis dizer-te que o amor era talvez isso, ou talvez aquilo, não te soube dizer. E tu sorriste, como quem tropeça nas noites em branco e adormece. Dizias que não se pensa sobre o amor, que se ama isso mesmo, o sonho que é não pensar, e eu senti que tropeçava em ti de cada vez que me tentava esconder dos teus braços, e foi por isso, ou talvez pela ternura que caía dos teus olhos, que percebi que o destino não é mudo, mas que também ama. E tu eras o meu, eu sabia-o, embora o escondesse pelas ruelas sem fim no meu regaço. E tu também o sabias, embora não pronunciasses a cada passo o teu fervor de me encontrar. Talvez por sermos mudos quando o amor nos toca, quando nos empurra para os braços um do outro em silêncio, talvez por isso sejamos tão sós quando as palavras nos cercam. E eu sei, embora esconda, que a vida muda e oxalá eu fique muda com ela. 

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