"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

26/10/2013

Histórias e delírios da casa ao fundo da rua

A rua, larga, era habitada por casa que se dispunham lado a lado e frente a frente, divididas por pequenos acessos e becos ou pelos dois passeios e a estrada de pedra cinzenta calejada.
Todas as casas tinham uma história, mas não esta. Esta casa era diferente. Maior, ornamentada, noutros tempos. E não tinha só uma história, tinha tantas histórias quanto quartos, multiplicados pelos vidros singulares que preenchiam cada quadrado das janelas. 
As histórias eram cheias de tudo, de homens e mulheres, de homens com mulheres e de homens por mulheres. Havia de todos os perfumes na casa; de amor, de traição, de tristeza, de ódio, de vida, de morte. A casa robusta albergava espécies distintas, desde assassinos a namorados, de amantes a viúvas e, por vezes, cadáveres esvaídos em sangue, por dinheiro, por ódio ou traição ou apenas pelo simples acto de matar.
As histórias são muitas. Umas bem iluminadas e quentes, como se fossem dias de sol escaldante e céu limpo, outras frias, de breu puro onde nem a lua mais cheia tinha permissão para entrar.
Ainda hoje, algumas correm de boca em boca. Histórias e delírios, contadas nas tabernas, regadas com shots de rum, da casa ao fundo da rua.
São tudo histórias;
ou não.

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