"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

31/10/2013

Quero-te.

O espaço era o mais perfeito que podia haver para tratar do que ali iam fazer. Como se alguma vez algum tipo de negócio pudesse acabar num sítio como aquele. Ah, quem é que eu estou a tentar enganar? Óbvio que acaba. Muitos negócios acabam assim, nus, entre lençóis. Mas isto não é nem nunca foi um negócio. 
Tal como já disse, o espaço era perfeito. Tinha o seu quê de misterioso, ou talvez fosse apenas do fim da tarde. Talvez fosse do sol se estar a pôr no horizonte, à frente dos seus olhos. Talvez fosse, e esta é a razão mais sincera, da companhia. Por isso, olhando para o lado e acariciando-lhe levemente o braço apenas lhe disse: vamos a isto? Já merecemos. 
Os olhos dela brilharam, garanto-vos que vi aquele fogo que tanto queria ver. Peguei-lhe na mão e lá fomos, como amantes perdidos e encontrados numa questão de horas. Juro, juro que o olhar dela me enlouquece os sentidos e me enriquece a alma. Faz-me sentir que me quer, com todas as forças daquele pequeno e quente corpo. Espero que o meu olhar diga o mesmo porque, de verdade, que nada mais quero com tanta rapidez que a sentir como minha.
O medo invade-me o espírito quando penso que me posso apaixonar. Não quero paixões, não quero mais. Quero um querer sôfrego, rápido, mágico. Quero querer muitas vezes, quero parar de sentir isto, com esta intensidade louca que só ela me trás. Quero acalmar este meu lado descontrolado que me faz imaginá-la nos meus braços a toda a hora, imaginá-la junto ao meu corpo, nua, minha.
Agora sacudo os meus pensamentos e volto aquele espaço. Não é imaginação. Ela já está nos meus braços, não nua, mas será minha. Tenho a certeza que será minha quando a despir devagarinho. Qual quê? A pressa é demasiada. Roupa quase rasgada e atirada para longe. Toco-lhe a sua pele macia, olho-a nos olhos. E é neste momento que já não resistimos. Ela vem com a sua boca de encontro à minha enquanto eu a conduzo para a deitar sobre a cama. Sentir-lhe o gosto, o cheiro, que tanto ansiava. As línguas dançam, enquanto percorro as mãos por aquele corpo que me tira do sério. Beijos já não nos saciam. Quero mais, queremos mais. Descobrir as melhores sensações do mundo quase como se fosse a primeira vez. E é ali, depois dela assentir, de se entregar completamente a mim, que lhe toco a alma, que lhe conheço os traços que sempre quis esconder, que a sei, tal e qual como ela nunca se mostrou a ninguém. Como sempre desejei. Assim tive a certeza que não só eras minha, como também nos pertencíamos com a mesma intensidade e desejo.

Emily & Sentimentos Incontrolados

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