"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

29/10/2013

Sobre escrever

Sobre escrever, para vós*:

Escrever é vício, necessidade; escrever é tão nosso quanto a nossa pele, a nossa voz, as nossas memórias.
Escrever é colocar quanto em nós há em cada Afonso, Nicolae, Filipe, Cláudia, Andrea, Sofia ou Mariana que povoam as nossas histórias. É sermos nós em todas as palavras nas que fazem sentido e constroem frases e histórias, mas principalmente nas palavras soltas, solitárias e sem significado aparente. O simples acto de querer escrever é tão nosso como querer respirar, é natural, instintivo e, dependendo dos dias, com mais ou menos dificuldade, assim como o respirar de nariz entupido.
O que escondemos ontem, hoje está nos textos, também escondido, mas aos olhos de todos; é assim que se tira o peso, talvez da solidão, talvez do "ninguém me entende" das crises ingénuas que temos em noites frias de Inverno. Mas também é dar vida, como a Primavera às flores, é dar e dizer "Amo-te" e fazer do texto quente e tórrido como dias de Verão; é ser Outono, quando perdemos alguém e escrevemos sobre isso, pois perder alguém é puro Outono, são as folhas que caem de nós árvores.
Escrever, antes de ser dos outros e para os outros, tem de ser nosso e para nós.
É fazer histórias que em nós fazem sentido e, mais que as fazer, é vivê-las. É matar alguém ao virar da esquina e sentir a quase adrenalina do medo e a velocidade estonteante de quem foge; é amar e deixar que (nos) amem (personagens), sem que fujam ou nos magoem; é estar sempre ali, na casa ao fundo da rua, na Rua 40 em toda a sua extensão ou até mesmo não estar em lado nenhum.

Escrever é isto e muito mais, cada um escolhe o que será e o que quer que seja; sonhando.
Escrever é o que nos tem aqui, ontem, hoje e amanhã.
Escrever é isto, palavras de um de nós para os outros; aquecendo ânimos ou arrefecendo.

E chega; é isto, tudo e nada,
Para vós!




-vós*- para todos os que escrevem, em especial para quem aqui escreve n'Os Amantes.

Ricardo Cunha

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