"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

22/11/2013

um quarto de um décimo de uma centésima de mim.

Escrevo para dentro, como quem aspira as últimas palavras da frase, um pequeno segredo contido numa acção do dia-a-dia, vozes trémulas deitadas nuas para serem lidas com dedos de criança ávida de curiosidade. Há uma respiração febril em cada história semi-contada por entre dedos e segredos, lufadas de fumo de tabaco numa noite fria às três da manhã, os papéis arrancados do corpo por puro desespero, escrevo para me lembrar de quem não sou. Deito-me na pele de tinta que cosi para mim mesma, desnudo-me apenas quando uso a tinta para descrever o que não consigo que as cordas vocais reproduzam o que pela cabeça me vai. Perco-me mil vezes no que não escrevo e deixo perdido dentro da jaula que o cérebro é, que aprisiona os mundos que quero criar, com medo que um dia fujam de controlo. Agora escrevo para mim e não para ti - tu, que lês isto, - porque sei que não compreenderás coisas que eu digo e sinto e não me interessa, apenas escrevo porque só assim sou livre. Tão livre como um pássaro no pequeno pedaço de céu que lhe é entregue.

1 comentário:

  1. "Escrita Paraquedas"... é o meu tipo de escrita preferido. com uma linha, uma agulha e um pedaço de tecido... como se a vida dependesse das últimas palavras grafadas.

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