"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

29/12/2013

just a flower, just a gardener

Abres sulcos em mim, profundezas desmedidas de tempos idos que eu desconheço e tento não recordar, dóceis lembranças que vêm com a maré baixa do inconsciente preso no córtex cerebral, um mar gigantesco do nada físico e do tudo psicológico - ensinam-nos metafisica e teorias da relatividade para descrever os momentos que mas conseguimos cuspir para fora das caixas enjauladas que são as nossas cordas vocais.
És doce dor de cicatriz semi-aberta e rasgada num ponto qualquer abaixo do meu peito desnudo, sinto as tuas mãos quentes e suadas na minha pele fria e sinto o galopar do teu coração pressionado contra os meus ouvidos, é como ouvir o mar rugir em noites de tempestade, é como ser farol de barcos naufragados em doçura salgada de maresia numa ilha distante, perdida do mundo.
Doce fruto proibido escondido debaixo da língua, percorre as veias como se fosse senhor delas, caminhos que conduzem a cantos de mim que ninguém vê e ninguém deve de lá estar. 
Agarrada a ti, cuidamos do pequeno jardim plantado dentro de nós há tanto tempo que mal nos lembramos como é não o ter.
Ahhh, de repente começo a gostar mais de flores de primavera.

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