"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

29/01/2014

Consistências

Dizem que, na vida, vamos encontrar muitas pessoas com as quais nos podemos sentir mais compatíveis. Mais próximas, unidas por um laço invisível que nos faz perceber as semelhanças no caráter. E eu sempre acreditei nisso. Na facilidade em encontrar compreensão nos outros. Nunca pensei foi que fosse tão fácil. Até tu apareceres. A percepção das nossas semelhanças foi gradual, tal como o é o crescimento da amizade que nos une.
Sempre acreditei na beleza da amizade, na beleza do conhecimento mútuo, no querer saber mais do que aquilo que nos entregam diretamente. Na pergunta que vem antes da resposta, na conexão estranha de cérebros verdadeiramente distantes e, no entanto, tão idênticos. E contigo acabo por ter isso tudo sem nunca sequer ter esperado que chegasse. Nunca esperei que viesses e, no entanto, sinto-me tão realizada por poder contar contigo, por saber que te tenho comigo num lugar especial, numa ligação estranha que se compõe com imagens animadas e frases estranhas que tanto sentido acabam por fazer.
A questão agora é: como te escrever sem me deixar sucumbir pela banalidade? Porque nós somos muito mais do que frases feitas e estereótipos. Mereces palavras únicas e eu não sei se tas sei dar. É como que um medo de vulgarizar isto que temos que de vulgar pouco ou nada tem. Digo-te, ver-me em ti é quase assustador. Este laço invisível assusta-me. Penso que por vezes, se torna bem visível. Pelo menos para mim. Consigo ver isto que nos une. Consigo senti-lo. Mas não sei explicá-lo. É tão fácil ser o que somos, mas transpô-lo para palavras é complexo. Somos seres paradoxos que acabam por fazer sentido. No fundo ser o que somos não é assim tão fácil, seria se não fossemos quem somos. Entendes? Espero que sim. Perco-me nas palavras que te profiro, porque à medida que o faço, sinto que nos estou a minimizar. O medo de nos minimizar é tanto. Que seria de nós sem o medo? Quem seríamos sem ele? Provavelmente seríamos melhores, não sei, nunca experimentei, mas o medo é-nos tão familiar como a complexidade de sermos quem somos. Desculpa, já não sei o que digo. Mas acho que tu entendes, às vezes sinto que te consigo transportar para a minha mente, sinto-te em mim, como se esta amizade que nos une nos colocasse uma dentro da outra. Desculpa as indecisões. Ou não desculpes. Porque tu compreendes as indecisões. Compreendes isso e muito mais. Às vezes, não entendo como nos entendemos. Nem sei o que esteve na base do que nos formou. Outras vezes sei. Somos convictas das nossas inconvicções. Somos isto que só nós vemos. Somos nós.

Um texto de Emily e Lúcia

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