"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

27/01/2014

Mergulhada num turbilhão

Eram dois seres muito diferentes. Tempestade, calmaria, sol, lua, quente, frio. Céu, mar. Apenas um ténue traço os ligava, de uma forma estranha, uma vez que nem se conheciam. Mexiam com ela da mesma maneira. Não, até minto. A maneira com que lhe tocavam os silêncios e os gritos da alma era diferente. Tão diferente como eles. Talvez isso a fizesse sentir mais confusa. 
Quantas vezes se isolou, num canto de si mesma, baralhada; quantas vezes o abandonou no passeio da rua, desesperada, por se sentir dividida; quantas vezes tentou esconder-se nas frases "não sinto nada" que proferia em silêncio a cada nova investida - investida essa que ela fazia por durar o máximo possível? Até perceber que sim, era mais do que alguma físico-química. Incomoda-a, no fundo, sentir que sente a mais do que o início supunha. O início não era assim. O início era livre, descomprometido, brincalhão. Não era isto. Este turbilhão louco que a carateriza por querer e afastar. Por sentir que magoa todos à sua volta, principalmente quem menos devia magoar. 

6 comentários:

  1. Tão bonito! Como a Kiara te disse, é preciso ler-te e reler-te e mesmo assim fica sempre algo por perceber. E tu passas essa tua característica seja qual for o tipo de texto.

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  2. és fantástica. só te sei dizer isso.

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    1. E tu és fantástica, também só te sei dizer isso.

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  3. Nem sempre magoamos os outros quando pensamos que é isso que estamos a fazer... Cuidado para não te afastares daqueles que mais te dizem, porque às vezes são precisos mesmo quando pensamos que não. Beijinho.

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