"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

04/02/2014

22.50h

Não acredito. Conheço-te ao longe, mal entro num sítio. Conheço-te o detalhe do pulso fino e da forma como moves a mão. As costas e a forma como o teu cabelo está cortado. A pulseira preta que te adorna o pulso. Parece doentio mas talvez eu seja apenas muito boa observadora. Parece que, ainda hoje, te persigo pelos corredores que ambos cruzamos em horas distintas. Não o faço. Talvez antes o fizesse na esperança de te encontrar e alegrares o meu dia. O meu, claro. Penso que o teu nunca melhorou com a minha presença. Acho que agora, à distância, é que consigo perceber as falhas do meu raciocínio que te realçavam a personalidade e me cativavam a vista. A alma. É que sempre se tratou disso. De quem dá(va) mais pela minha alma. E tu trouxeste-me uma alegria inesperada e uma conexão nunca antes sentida. Talvez seja por isso que, inconscientemente ou conscientemente, continuei a procurar o teu olhar em todos os caminhos que percorria e fossem que horas o relógio mais próximo marcasse. Continuei a fazê-lo até finalmente bater com a cabeça na parede mais próxima e perceber que o que fazias era ignorar cada nova tentativa minha de nos falarmos. Eu queria, eu fazia por isso. Tu não. Tu apenas dizias querer. Mas quem diz querer tem que se esforçar por que aconteça. E tu ... Faltava-te isso, o esforço. Faltava-te mais do que isso. Faltava-te tanto e eu nunca o vi.
Nunca o quiseste. E eu vejo isso, sinto isso. Seria mais fácil admitires-me que não querias nada do meu ser e teres virado as costas. Não. Fizeste com que fosse eu a virar as costas e com que fosse eu a sentir esta culpa estranha porque culpada disto, eu não sou. E a tua ausência em mim, não é que me doa. Dói-me é a forma como te sentiste tão bem por eu ter saído da tua vida. A forma que me tratavas hoje vejo que o fazes com tantas outras. A forma que me marcaste, no final de contas, deve ter sido igual à forma como marcas tantas outras por aí. Porque é assim que te sentes bem ou que fazes com que a tua barreira se dissipe um bocado. E sabes? Eu tenho a certeza que fui das poucas pessoas que quis perceber mais do que a ponta do icebergue que a todos mostras. E isso tu perdeste. Mas só perdeste porque tu quiseste. Não que eu ache que te faça falta. Se o fizesse já tinhas vindo ter comigo, tiveste tempo mais que suficiente para o fazer.
Continuo a ver-te. Agora sem sequer o fazer inconscientemente. Agora simplesmente não te quero ver e apareces-me à frente, no meio do meu caminho. A minha esperança sempre foi que, um dia desses em que nos vejamos, olhasses para mim e eu pudesse verificar nos teus olhos que estás arrependido. Não acontecerá. Mas espero uma qualquer reação tendo em conta que a última vez conseguiste fazê-lo. Viste-me efetivamente. Não ignoraste ou viraste a cara como tantas outras vezes no passado.

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