"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

07/02/2014

a língua-mãe

A voz vem do fundo do peito, aquece a garganta e a língua solta-se em sons. As conversas fluem como rios, vozes roucas e graves de rochedos intemporais ou vozes doces de ninfas perdidas, que um dia a mãe natureza decidiu amar. Quem diz que a língua portuguesa não é língua difícil de ser falada, de ser aprendida, certamente não sabe falar o português que deve de ser falado; o português que é enrolado com a delicadeza de uma virgem a ser desnudada pela primeira vez, ou o português agreste, daqueles que sabe a chapada na cara e uma palmada nas costas ao mesmo tempo. Quem diz que a língua portuguesa é fácil de aprender é porque não a fala com o tremor adocicado e a paixão fervorosa que ela merece, língua antiga, com raízes na terra e no mar, não enche "o peito ilustre lusitano" como um fole que depois expele docemente as intrincadas palavras que formamos, com amor e ódio, tão banais que podem ser de génio. Falar português é algo que vem no sangue escrito, uma réstia da bravura e da nobreza portuguesa que de nossos antepassados vem, e deles foi o que restou, e se português se fala de queixo levantado, bem levantado, porque português é língua difícil, que mais não seja de se sentir. A complexidade anatómica da nossa língua é algo intrincado que apenas nós conseguimos entender, e que mais belo do que o nosso coração falar a língua-mãe?

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