"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

16/03/2014

Escrevi a minha mágoa no teu ombro, com o cabelo a tapar-me a alma. Era noite e o relógio soluçava um tilintar sem fim que nos tirava o sono mais profundo. Não sei definir as formas leves que o teu ombro tem, os sons de primavera que os teus lábios ofuscam, muito menos te sei dizer o que foi de mim naquela noite cansada. Gritei-te o que de mais estrondoso há em mim, e esperei que me ouvisses nesse silêncio atordoado do tilintar do relógio. A tua expressão lembrava-me o campo de batalha que combatia dentro de ti, a morte fúnebre por que passas todos os dias. Não te sei dizer quanto tempo passou, nem se a alvorada já nos terá descoberto em sobressalto. Não sei. E talvez a vida seja uma sucessão de não saber viver. E eu não sei.

3 comentários:

  1. Tão lindo Bé e tão profundo...
    A vida também é feita de incógnitas...
    Beijinho :)

    ResponderEliminar
  2. Bé bé bé escreves tão bem! Parece que oiço as palavras :)

    ResponderEliminar