"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

24/04/2014

Incompleto Viver

Ele dava origem ao tom mais elevado da sua voz, mesmo em pleno silêncio. Por mais longe que estivesse, o mundo nunca deixaria de ser de apenas deles os dois. Gritaria tanto, até que pudessem ouvir o vazio do seu coração, as palavras que jamais poderão ser vistas. Num canto escuro, em companhia da honesta paixão, sentia-se massacrado pela pressão da água que terá sempre de engolir. Só havia um jeito de imaginar, senti-la da mesma forma que ela o sentia. Viu-se todos os dias a mudar, a tentar mudar, até que fosse possível atingir a simplicidade e a pureza que fizesse merece-la de verdade. Queria saber colorir a alma, deixar a pessoa morta que era, por ele, por ela. No entanto, não passava de um desastre em pessoa dentro de uma divisão de azar., onde já foi derrotado pelas sombras dos pássaros que contariam juntos se pudessem. Terminou por ali o seu capítulo, em sua mente pelo menos, naquela casa de melancolia inevitável.  Desejava sair para combater meio mundo, e viver de outro, ou se calhar ficar só pela praia, sobre a areia da solidão e a nunca demais água do mar. Na verdade, ele não tencionava desaparecer do mundo, e até ao momento não o fez. Não tem esse como objectivo de vida. A sua marca está lá, para ficar talvez, embora recente no mundo real dos amantes, mas já tem algo que talvez ficará. Seja dor, seja amor,  algumas existentes do puzzle incompleto, pelo menos isso marcou. Neste mundo, onde já não mais se entende, já não mais consegue se situar, no tempo, no espaço, no momento. Provavelmente, onde só a paixão de ambos comunica, onde só essa é capaz de entender. Se calhar, apenas desse jeito se compreendem e saem na espera pela glória, mesmo depois de um tempo desastroso que se fazia sentir. E que essa espera dure 1 mês, 5 meses, 1 ano, 3 anos, que seja, como tanto conhecida é a expressão " Se for verdadeiro vai valer a penas esperar cada segundo, minuto, hora, semanas, meses, e até anos.". Ele acreditava e acredita, tanto quanto o medo que tinha e tem de se perder pela esperança. Mesmo que um dia o deixa-se de ouvir, continuaria a gritar o seu nome bem alto, de forma a que todo mundo pudesse voltar sempre a sentir aquele  seu incompleto viver. E se a escolha de ir embora e de viajar pertence-se à sua considerada inspiração, pois bem, aí ele garantia que iria olhar nas estrelas e encontra-la, por todo lado a encher o céu. Relembraria de tudo um pouco daquilo que lhes pertence-se, e apoiaria-se no que com tanto dele ficou, que foi ela, a sua única estrela. As noites ficaram longas, longas conforme o frio que sentia, até que congelava. Tal aperto que era capaz de retirar toda força dele, que o degradava na prisão das saudades de senti-la em seus braços. Não terá mais para onde ir, na sua mente, perdeu o que o preenchia, de certa forma, o que lhe enchia o coração. Saiu de novo em mente, à procura de mil e uma maneiras de, neste frio e silêncio, encontrar um pouco dele perdido no desconforto de adormecer sem o que lhe fazia viver. Esta rua parecia não terminar, e deu sempre de volta a sentir-se como uma pessoa morta a procurar pontos de reflexão e de força. Nada mais o descrevia para além de, uma alma cheia de escuridão, cheia de danos resultantes de todos os impactos da vida. Umas vezes motivado, outras destruído e incapaz. 

Sem comentários:

Enviar um comentário