"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

05/05/2014

Águas Apaixonadas

Será que ainda te lembras de mim? Daquele rapaz, que de uma forma ou de outra, nadava em plenas águas apaixonadas. Daquele rapaz que todos os dias precisava de ouvir a tua voz antes de dormir. Daquele rapaz que após toda discussão, sentia como se o mundo fosse explodir. Totalmente cego e dedicado, talvez exagerado mas principalmente por medo, medo de desiludir, medo de más interpretações, medo de perder, quer dizer, de te perder. Será que já esqueceste os momentos em que sorriste para mim, em que sorriste comigo. Em que olhaste no meu olho e leste os meus sentimentos. Ou será que ainda te lembras de todas as vezes que me declarei ao teu ouvido, em tom suave disse que te amava e que não aceitaria viver longe de ti. Nos nossos momentos, em que partia o silêncio com palavras, alias, muito mais que simples palavras, palavras muito sentidas, e verdadeiras acima de tudo. Eu ainda estou aqui, a relembrar todas as destruídas promessas, todos os destruídos olhares, no fundo, toda a destruição. Realmente, é mesmo triste, mas sim, eu ainda me lembro muito bem de todos os momentos em que larguei o sorriso, em que larguei o sorriso e senti que não era suficiente para demonstrar a força com que a felicidade se fazia sentir em mim. Não é aconselhável, e todos os dias dou chapadas em mim mesmo por o fazer, mas continuo a imaginar como poderia ter corrido diferente, como podia ter acabado de uma forma diferente, ou como nem sequer poderia ter acabado. Sinceramente, é triste tudo que aconteceu, e custa bastante ter de lidar com a tua presença no mesmo espaço que eu. Ser obrigado a agir como se não estivesses lá, como se não tivesses feito parte da minha história, como se não me importasse com o que estavas a fazer, ou com quem estavas. Olho para cima enquanto que quero olhar para baixo, sou obrigado a olhar em frente enquanto que algo me obriga a olhar para trás. E é isto, peças que ficaram por colocar no puzzle, que não me largam. Não é tudo igual, mas permanece e incomoda, sinceramente incomoda bastante. Pode não ser um sentimento tão forte quanto que já foi, mas é um sentimento, é um vazio. Nem sei se estou acordado, mas fui ferido por algo que alimentei e hoje não consigo viver com a minha própria desilusão. Faz-me viver adormecido, e não há dia que não me pergunte porque não fiquei onde estava, ou porque não fiquei por perguntas normais, porque fui em frente mesmo carregado de dúvidas. Cansei de estar em silêncios mortos e fingir que nada se faz sentir. Não quero enganar uma mente que foi traída pela própria mente. Quero acordar, finalmente acordar e criar um futuro. Abrir o livro, e começar a escrever algo que um dia mais tarde vá provocar-me um sorriso duram-te a leitura dessas palavras.

23-Junho-2013

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