"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

31/07/2014

O amor

Hoje sento-me, junto à árvore, a devanear sobre o amor, este que nos faz sentir as melhores e as piores coisas. Olho para a noite, esta que tão silenciosa me traz a nostalgia de um amor passado. Este amor que vai e volta no passado e, que agora, após três anos do início, o fim é mais longo do que a viagem que nos separou. O amor deu-nos junto o que perdemos em separado. Sinto-me tão incapaz de te largar de vez, de me separar de ti. É tanto o que nos une e tanto o que nos afasta.
Tanto foi o que nos uniu que para nós foi um tanto faz para tudo que nos separou. Foi um somar de coisas e um subtrair de sentimentos. Por dentro há choro e "não's" que não se distinguem. Sempre foi tudo tão incerto, continua a ser. Tenho saudades desse amor, que me quebrou e me refez, desse amor belo que foi meu. Aliás, que foi nosso. Desse amor que se escreveu por aí.
Não resta nada para além de todas as saudades que hoje ainda citas. Restam-me as recordações, também, da tua felicidade dividida em dois sorrisos, planeando já os próximos. Sempre fomos bons nisso, a sorrir com ou sem explicação.
Fomos felizes, fomos nós e o nosso amor. E quando nos cruzamos ainda sinto a incerteza no olhar. Às vezes olho-te sem que te apercebas. E outras, finjo não me importar que ocupas o mesmo lugar que eu. Finto-te com o olhar sempre que pensas que ele se direcciona a ti. Sinto-me imune mas nunca totalmente protegida de ti e do poder que tens em mim. E também sinto os teus olhos postos em mim, sinto-me observada por ti. Mas quando te enfrento com o meu olhar disfarças com esse teu jeito nervoso com que sempre o fizeste.
Acho que por mais que hajam muralhas a separar-nos, vai haver sempre aquela passagem secreta. Vão haver sempre truques de olhares ou um abanar de ombros que te façam hesitar, a ti e a mim. Conhecemos-nos, demasiado bem. Foste o amor em mim. Sei que consigo amar de novo, mas o que aprendi foi contigo. Repito, foste o amor em mim. Mais não consigo dizer quando já gastei mais que o meu tempo para descrever esta história que conto como inacabada.
Uma história incerta, que já conta com muitas linhas, umas tortas outras direitas, assim é a vida, assim és tu, assim foi esse amor. Foi e é. E porquê? Deixas tu por perguntar. Porque ele ainda habita em mim, como se fosse ontem que me deixaste a tomar conta dele.
No entanto, deixei-te ir, tu quiseste ir e como te quero ver feliz, deixei que fosses.

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