"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

01/09/2014

O táxi

Artur era taxista.
Todos os dias o seu lugar de paragem era junto à porta do shopping esperando, pacientemente, por alguém que precisasse dos seus serviços. Ele adorava o seu trabalho, não só por ser o que gostava de fazer, mas também porque já eram 27 anos com esta vida e tudo virou hábito e rotina e felicidade. Das coisas que o mantinham regular neste trabalho eram as conversas com gente diferente e, por vezes, estranhas maneiras de ser. Mesmo depois deste tempo todo como taxista, Artur,  pensava que já tinha visto de tudo, mas, talvez, "tudo" iria ganhar outra definição esta noite.

Eram já 22h.
Era sábado e, como habitual, ele preparava-se para ir embora. Era rotina sair às 22. Contudo, enquanto Artur acabava de fumar junto ao carro uma rapariga, por volta dos seus 20 anos aproximava-se do carro.

- Boa noite. o senhor está livre? - perguntou ela.
- Sim, claro! - respondeu Artur à medida que atirava o cigarro fora e se aproximava da porta para a abrir.
Já dentro do carro, a pergunta era sempre a mesma: "Para onde?"
- Para minha casa, por favor..... - respondeu a rapariga esticando a mão para o banco da frente entregando um papel com a sua morada escrita.
Artur conhecia - pois a profissão assim o exigia - a cidade como a palma das suas mãos. O destino era relativamente perto, uma hora, no máximo, desde do shopping até casa da rapariga.

Durante o caminho, como em quase todas as viagens, o taxista tentava iniciar conversa, mas sempre sem sucesso. Pergunta atrás pergunta, o silêncio da rapariga no banco de trás mantinha-se e a sua reacção era sempre a mesma, acenava apenas com a cabeça.
Porém, já perto de casa, alguma coisa despertou a rapariga. Artur ficou atrapalhado quando deu conta que a rapariga se desfazia em lágrimas e soluços no seu carro.
- O que se passa? Posso ajudar-te com alguma coisa?
- Apenas quero chegar a casa.... apenas quero ver a minha mãe... saudades, tenho saudades dela.

Poucos minutos depois disto e estavam no local.
Artur encostou e parou o carro em frente à casa da morada. A rapariga apressou-se a sair dizendo que demorava pouco, apenas ia buscar dinheiro para lhe pagar.
Ele esperou vários minutos, mas sem sinal da rapariga ou de quem fosse. Estava a ficar tarde e precisava de chegar a casa. Decidiu sair do carro e bater à porta, pedir o dinheiro, mesmo que isso fosse talvez um pouco indelicado.
Uma mulher, com alguma idade, abriu a porta.

- Sim? Posso ajudá-lo?
- Estou à procura de uma rapariga... Eu trouxe-a até aqui, ela já entrou à algum tempo e não voltou para me pagar. Será que a podia chamar?
- Desculpa mas, isso é impossível. Aqui só moro eu e o meu marido.
-Mas.... eu trouxe-a desde do shopping, ela deu-me um papel com esta morada e eu vi-a entrar aqui.
-Isso é impossível...
- Senhora, eu ainda não estou louco... Era uma rapariga com cerca de 20 anos, cabelo grande, castanho, pele clara.... ela chorava dizendo que tinha saudades da mãe e, mal chegamos, saiu do carro para esta casa...
A mulher começou a tremer mal ouviu isto de Artur.
-Espere um momento....
A mulher entrou em casa e, passado pouco tempo, voltou à porta com uma fotografia na mão.
- Por acaso, era esta a rapariga?
-Sim, era ela mesmo!
- Mas, o senhor está a brincar comigo? Isto é alguma brincadeira de mau gosto?
- Não estou a perceber.
-A rapariga que você diz que viu e que trouxe é minha filha.... e o que você diz é impossível.
- Impossível? Como assim?!
-A minha filha morreu à 6 anos num acidente de carro quando voltava para casa à noite, com uns amigos.
-Peço desculpa, eu não sabia...

Artur não teve coragem para dizer seja o que fosse. Sentiu que devia sair dali e não dizer nem mais uma palavra.

Afinal, parece que, nem tudo o que vemos é real... ou vivo.












a ideia original e a história não são minhas, considerem este texto adaptado.
ideia e história foram retirados daqui: Twitter - Mentalista

1 comentário:

  1. Gostei da história, da forma como está contada e do final.
    Gábi

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