"A vida são dois dias
Um serve para escrever o melhor texto do Mundo.
O outro para morrer a lê-lo."

11/11/2014

Chuva

« Silêncio para este insistente clima chuvoso, tão suave e contínuo, inspirador, aspirador de ideias, de memorias. Nunca tão pouco para sentar num banco de jardim e fazer de uma árvore um abrigo, flectir o tronco e evitar que qualquer gota chegue até à folha de papel. Sabe tão bem, ou como nunca saberia com um outro estado de tempo. Faz perder as chatices do momento e ganhar as ultrapassadas, faz com que a folha seja como um charco de água, que reflecte os sentimentos ao invés do face. Sabe tão bem esperar o tempo sem ter de contá-lo, estar controladamente descontrolado, de olhos bem abertos e sem ver nada, apenas ouvir e apreciar os sons que a chuva é capaz de fazer chegar até aos nossos ouvidos. Incrivelmente admirável como a própria natureza pode provocar um sentimento de identificação no momento. Geralmente associa-se a chuva ao desconforto, ao frio, às dificuldades de condução e de prática de desporto, de tudo que seja negativo basicamente, quando na verdade é tão bom quanto um dia de sol na praia com os amigos.
  Hoje estava sentado ligeiramente a leste deste mundo e lembrei-me de tudo isto, pensei e cheguei à conclusão que de facto não chegamos a valorizar, a apreciar a natureza quando realmente poderíamos e ficamos admirados com a sua própria beleza. Não há melhores condições do que isso para poder escrever, para poder clarear e ampliar uma inspiração. São inúmeros os vazios que a vida oferece-nos e guardar-nos, todavia podemos e devemos aproveitar tais momentos, tais fontes para poder aliviar e partilhar os sentimentos encurralados, com a natureza, com uma folha de papel. »

                                                                                                                                         autor escreve em: Palavras Sentidas

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